Cena Urbana / O estilo e o estiloso, por Vicente Serejo

Cena Urbana / O estilo e o estiloso, por Vicente Serejo

Compartilhe esse conteúdo

O Ministério Público deixou passar uma boa chance de finalmente livrar-se do seu jeito estiloso e espetacular de ser, principalmente depois das rebordosas sofridas nos últimos dias, tão desastrosos, de Rodrigo de Janot. Se tivesse convocado também uma entrevista coletiva para, na sua bancada, reconhecer o erro que provocou uma diferença de R$ 20 milhões de reais como está informado na denúncia que formulou por escrito e registrado no protocolo do Poder Judiciário.

É por essa falta de sinceridade -e que não reduziria em nada o ilícito da culpa - que até agora a sociedade não fixou um juízo de valor definitivo contra os réus, não só da Operação Lava Jato, como de outras operações. É assim que se fomenta, mesmo sem querer e sem má fé, o processo de espetacularização que nasce nas declarações bombásticas que segundos depois estão pulverizadas fortemente pela força extraordinária das redes sociais, fulminantes e avassaladoras.

É como se apontar publicamente acusações não exigisse, nos chamados ritos processuais, o mesmo cuidado e rigor na apuração dos fatos que por sua simples divulgação, principalmente se chancelados por instituições de credibilidade como o MP, não tivesse a força irreversível de um tribunal sumário e draconiano. Se houve um erro de cálculo, nada impedia que fosse rápida e publicamente reconhecido, se esta é a leitura correta a se fazer da notícia divulgada pelos jornais.

O cuidado de conter a jactância e corrigir o erro, isto no plano da divulgação, teria as suas vantagens. Evitaria qualquer laivo de má fé e estardalhaço irreversivelmente corrosivo e gerador de versões espetaculosas. Até para que a opinião pública não tenha desconfiança de que era raivosa a reação contra a lei de abusos de autoridade, temida por sanções funcionais e indenizatórias pelos danos causados à dignidade de qualquer pessoa acusada e depois inocentada.

Não pense a Justiça que não paira sobre suas togas negras, orladas de arminhos, o mesmo risco de desconfiança da sociedade. No imbróglio que envolveu o Senado e o Supremo, dois poderes da República, o Judiciário saiu do plenário com suas togas andrajosamente manchadas. Como entender a decisão de respeitar a autonomia do Senado para julgar sanções a senadores, depois de condenar o senador Delcídio Jurandir sem ser réu, sem ter defesa e sem julgamento?

A diferença de R$ 20 milhões - de R$ 22 para R$ 2 milhões - nos desvios apontados na Secretaria Municipal de Serviços Urbanos sequer precisava de toda essa magnitude para merecer a correção pública como iniciativa do MP. Até pelo fato de que a acusação de crime permanece, e resguarda a instituição. O que não podia, aconteceu: a correção silenciosa de um erro divulgado pelo próprio MP. Convenhamos: corrigi-lo, em voz alta, teria sido um bom instante republicano.

PALCO

 PERGUNTA - Se cabe ao Poder legislativo resguardar a plenitude do exercício do mandato, como proibir que o deputado Ricardo Mota frequente a Assembléia e exerça o mandato que as urnas lhe garantiram?

COMO?... - Se não exercia, à época da decisão, cargo na mesa diretora do Poder Legislativo que lhe pusesse nos ombros a condição de ordenador de despesa, e se apenas cumpria, legalmente, seu mandato?

AZEDO - Pelo visto, diante da crise, a STTU institucionalizou-se como órgão do sistema de arrecadação da prefeitura e não como orientadora do trânsito em respeito aos cidadãos que pagam seus salários.

FUROR - SÉ a única explicação para justificar o furor dos seus guardas multadores fardados de verde-limão ao invés da presença em locais e horas de engarrafamento. Até nos shoppings atuam enfurecidos.

REAÇÃO - O Papa Francisco anunciou o tema do Sínodo de 2019: a preservação da Amazônia e dos povos indígenas dos países em torno da floresta. Foi na canonização dos mártires de Cunhaú e Uruaçu.

REAÇÃO - Não pense o Brasil que a Igreja brinca. Primeiro não encontrou espaço na agenda para o Papa receber Michel Temer e agora chama o mundo a prestar atenção na intolerância contra os índios.

AVISO - O Brasil conseguiu inventar algo pior do que a corrupção que deixou o país sem líderes políticos e empresariais: esse fundão privado de fabricar político como se as urnas fossem um laboratório.

PIOR - Ninguém se engane: de lá só sairão legisladores criando e votando leis sem mais o sentido social até pela falta de consciência política e de espírito público já espelhado hoje pelas novas gerações.

POSSE - Francisco Maria Bezerra Lopes e André Pignataro Furtado de Mendonça e Menezes vão tomar posse amanhã na Academia de Letras e Artes de Ceará Mirim e presidida por Joventina Simões.

ESTILO - Foi ágil o governo em tentar transformar a canonização dosmártires de Cunhaú e Uruçu em ação de governo. Esse tipo de artifício não faz sentido em releases oficiais. Não cabia. Não era hora.

DENÚNCIA -Nem o RN escapou das denúncias de corrupção nas forças armadas. O Hospital da guarnição de Natal está incluído na relação de inquéritos segundo um a matéria publicada pela revista ‘Época’.

FARDA -Na reportagem ‘A Corrupção de Farda’, - oito páginas - a revista aponta que aqui, no hospital de guarnição de Natal, foram desviados R$ 975 mil. Há sobrepreço na licitação para pagar propinas.