Cena Urbana / Pequena história editorial de um livro, por Vicente Serejo

Cena Urbana / Pequena história editorial de um livro, por Vicente Serejo

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Um juntador de livros, provinciano e sem glória, não pode ser posto entre os chamados bibliófilos. Seria muito cabimento, reconheço. Nem por isso, é justo imaginar que seu bestunto não é capaz de ter olhos curiosos. Tudo que agrada, Senhor Redator, desde os antanhos, regala o peito. Por isso protestei no discurso de saudação ao escritor Humberto Hermenegildo, na Academia, contra a supressão do subtítulo ‘Romance de Costumes’ no livro ‘Canto de Muro’.

Fui comedido, se quer saber. A história editorial de ‘Canto de Muro’, quando um dia for contada, há de revelar várias perdas desde sua segunda edição, 1976, por sinal na mesma José Olympio da primeira edição, em 1959. Na segunda, e depois de ficar fora de circulação 38 anos, a capa perdeu o grande campo azul e sobre esse chapado o belíssimo bico de pena, a nanquim, de Luís Jardim - um canto de muro - no traço de um dos maiores capistas do Brasil.

A segunda e terceira ediçõesainda mantiveram as opiniões dealguns nomes célebres que constavam na primeira - Wilhelm Giese, da Universidade de Hamburgo, Alemanha; de Vicente Garcia de Diego, da Universidade de Madrid; Juan Alfonso Garrido, de Buenos Aires, Roberto Lehman-Nirsch, da Universidade de Berlim; João de Castro Osório, de Lisboa; Carl Wilhelm von Sydow, da Universidade de Luand, Suécia; e de Gilberto Antolínez, de Caracas.

Também nas segunda e terceira edições figurou, na primeira orelha, o que não constava da primeira: um texto consagrador do crítico Wilson Martins, do qual a José Olympio saca umafrase que destaca bem na capa principal: ‘...será um daqueles livros que ficam, um daqueles clássicos de segunda fileira que fazem as delícias dos amadores sutis e exigentes’. Martins, um olhar dos mais exigentes, percebe na adjetivação cascudiana a o traço de sua bela imaginação.

Tem mais. Depois de perder o bico de pena de Luís Jardim, na capa da segunda e terceira edições, e mesmo diante de tão lamentável perda, o livro ainda mereceu uma capa de Cecília Banhara - um ‘C’ capitular para ‘Canto de Muro’, disposto em duas linhas, letras em verde escuro sobre verde claro, com um ‘CÂMARA CASCUDO’ em letras grandes e fortes, embora na cor branca, dando o total destaque ao seu autor, muito mais que ao título do livro.

Nas segunda e terceira edições o subtítulo - ‘Romance de Costumes’, da edição original, está mantido, afinal é o designativo de sua própria gênese. Mas, na quarta edição, Global, 2006, nada se respeitou. Retiraram ‘Romance de costumes’, o desenho de Luís Jardim, os textos dos professores de várias universidades do mundo, a orelha de Wilson Martins e sua frase na capa principal. Tudo. Já são várias as capas de artistas célebres que a bibliografia cascudiana perdeu.

PALCO

 FEIO - O PSDB, a julgar pela propaganda eleitoral na tevê, já começou a encontrar vários defeitos no governo de Robinson Faria, mesmo sendo aliado. É um traço típico do caráter da tucanagem.

POSIÇÃO - O deputado Rafael Mota mais uma vez salvou os norte-rio-grandenses da fisiologia oportunista da bancada dos filhos federais que votou em Michel Temer com motivações as mais anêmicas.

ALIÁS - Pior do que a servidão voluntária é a conspícua e falsa retórica salvacionista com que nossos jovens deputados adesistas obedecem cabisbaixos ao governo diante de um estado abandonado.

IMAGEM - É deprimente o apurado que restou do bate-boca dos ministros Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes, um constrangimento de público na sessão plenária do Supremo Tribunal Federal, STF.

COMO - Um, o ministro Gilmar Mendes, acabou sendo acusado de ser parceiro leniente dos criminosos de colarinho branco; o outro, Luís Roberto Barroso, de ser advogado de bandido internacional.

GRAVE - De um aliado do governo avaliando a desastrosa a redução de salários enviada pelo vice à Assembléia e sustado pelo governador: ‘Se fosse sabotagemadversária não seria tão perfeito’.

GRAVE - A OAB precisa com urgência por os olhos sobre as condições de encarceramento de mulheres no sistema prisional do Estado. É hediondo. Uma degradação humilhante da condição humana.

PEDRO - A biblioteca do espaço Céu das Letras, em Ceará Mirim, terá o nome do escritor Pedro Simões Neto que foi um realizador cultural e fundador da Academia de Letras da cidade. Justíssimo.

ADELE - Quem vem a Natal para fazer uma conferência sobre a poetisa Adele de Oliveira é o advogado Ciro Tavares que a escolheu como patrona na cadeira na Academia de Letras de Ceará Mirim.

RECEITAS - Na livraria do Campus da UFRN o livro ‘Receitas de Dona Zefinha’, edição Paco Editorial, SP, organizado pela filha, Vitória. D. Zefinha era casada com o escritor Américo de Oliveira Costa.

GOSTOSO - São Miguel do Gostoso foi destaque no caderno de turismo da Folha de S. Paulo como o novo destino turístico do RN. Com um grande estaque na chamada de capa. Com as suas pousadas.

POESIA - Continua segredo o título do novo livro de poemas da poetisa Diva Cunha que será lançado em dezembro para marcar os seus setenta anos. Segredo de alcova, desses guardados entre lençóis.