Cena Urbana / Tradição empobrecida, por Vicente Serejo

Cena Urbana / Tradição empobrecida, por Vicente Serejo

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Têm sido pobre, quando nada muito longe das concepções verdadeiramente renovadoras, o modelo de renovação política que praticamos até hoje. O marketing foi responsável pelo ardiloso engendramento semântico que, intencionalmente, reinventou o conceito de renovaçãoao pregar nas fotos dos filhos uma adjetivação que não cabia. Ao contrário: os filhos repetiram no exercício de seus mandatos os mesmos métodos dos pais, um continuísmo que nada renovou nem evoluiu.

Quem olhar a cena política com um mínimo de distanciamento crítico vai constatar que da prefeitura ao governo, da Câmara Federal ao Senado, passando pela Assembléia Legislativa, que há em todos os espaços do exercício de poder a presença dos troncos familiares que, há décadas, dominam a vida pública. Se no passado suas matrizes foram realizadoras e inovadoras, hoje o que resta são os simulacros desse passado, afinal agora a política é apenas, e tão só, questão de status.

Os filhos mais velhos, talvez por uma força de convivência exigente nascida de um tempo provações e desafios, ainda passaram pelos últimos anos da política estudantil. Uma escola que a ditadura militar garroteou ao impor uma reforma universitária que transformaria as universidades em shoppings com seus cursos dispersos, agrupados por áreas de ensino como produtos expostos em gôndolas. O modelo desmobilizou as instituições hoje reduzidas à luta corporativista e salarial.

Estamos cheios de filhos aplicados na repetição do figurino materno, mas por isso mesmo esvaziados de grandes idéias políticas. E quando, por acaso, despontamos, e dado à nossa pobreza política, descabamos para o exercício da servidão. Alguns, mais ardilosos, transformam a pobreza de postura em gestos aparentemente ousados e inovadores, quando na verdade os trapos dos seus falsos altruísmos requentam velhas alianças que se atam e desatam nas alças do interesse pessoal.

Com exceções, afinal a regra precisa de alguma forma de consagração, os que prometeram renovar a rigor repetem o método para pior. Suas matrizes políticas ainda foram, por força do jogo datradição, tocadas de um certo espírito público, uma qualidade que na geração mais recente foi trocado pelos valores e ícones de uma sociedade de consumo que julga o novo vitorioso não pelobrilhoe vigor de suas idéias a serviço da sociedade, mas pelos sinais de poder que possa ostentar.

Decididamente, estamos mais pobres. Mas, a culpa não é só dos filhos no falso processo de renovação. É também, em grande parte, da própria sociedade que, por sua vez, também não foi capaz de promover a educação como forma de consciência e libertação. O toma-lá-dá-cá acabou garantindo aos filhos a fantasia da renovação. Dai essa luta angustiada nas madrugadas de Brasília pela criação de um Fundão financiador da verdadeira fábrica de falsas vocações políticas. Hélas!

PALCO

GRAVE - Não bastassem as duas mil mortes violentas em menos de dez meses, em 2017, o RN apresenta um dado ainda mais grave: de dois mil apenas trezentos têmos seus autores identificados pela polícia.

RETRATO - A pesquisa Certus mostra a razão da possível submissão do prefeito Carlos Eduardo a uma chapa oligárquica e familiar: a liderança da senadora Fátima Bezerra quando soma seus votos do interior.

SE... - Só será candidato a governador com os senadores Garibaldi Alves e o filho Walter; José Agripino e o filho Felipe Maia. Precisa dos votos do DEM e do PMDB e o tempo valioso que é tempo de tv.

RISCO - Aliás, com sua renúncia e como o risco em política é real, não poderá abrir mão da candidatura da própria mulher a deputada estadual. Em caso de derrota a sua família ficaria sem mandato eletivo.

TIRO - O governador Robinson Faria sabe que seria tiro no pé, a partir da reação da própria Assembléia, o seu plano de cortar salários, medida que só atingiria o Executivo e sem grandes efeitos financeiros.

MAIS - A medida não reduzia salários no Legislativo e Judiciário, Tribunal de Contas, Ministério Público e auditores da tributação estadual. E levaria o seu governo a uma avalanche de demandas jurídicas.

ELEIÇÃO - Luiz Alberto Faria, ministro do Superior Tribunal de Justiça, envia carta aos acadêmicos da ANL. É candidato à cadeira 7 e que tem como patrono o primeiro historiador do Estado, Ferreira Nobre.

VALOR - Luiz Alberto é mestre e doutor em Direito Público e autor de vários livros na área jurídica, entre os quais ‘A Extrafiscalidade e concretização do princípio da redução das desigualdades regionais’.

DÚVIDA - E se o eleitor petista estiver raciocinando, como manda a sabedoria popular, que ‘ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão’? Ou seja: que a ele Lula ajudou, e se roubou, roubou só dos ricos?

GENIAL - A STTU vem se notabilizando pela desatenção com o natalense. Autorizou serviços com jamanta no trecho da Av. Hermes da Fonseca exatamente no cruzamento com Av. Alexandrino de Alencar.

TRECHO - Bem no início da Hermes, no trecho final que leva ao Midway e onde há apenas duas faixas, uma delas reservada aos ônibus. A jamanta, em plena manhã, causou um engarrafamento mastodôntico.

ALIÁS - Um repórter fotográfico teria registrado: no alto do sinal do serviço, entre Hermes e Alexandrino, há o aviso para não fechar o cruzamento. A STTU, como diria Machado de Assis, é uma pândega.