Matemática não é conspiração neoliberal, por Marcos Nóbrega

Matemática não é conspiração neoliberal, por Marcos Nóbrega

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O Ex Ministro Delfim Netto escreveu no Valor Econômico (21/06/16) um artigo sobre os programas econômicos de Dilma e Temer. Lá pelas tantas afirma: “ É, evidentemente, ridículo esperar que o conglomerado do pensamento mágico que não respeita as restrições físicas, que acha que a contabilidade nacional é invenção do “conservadorismo autoritário” ; que desconfia que a “regra de três” é uma conspiração da “direita facista” (...)”.

São argumentos simples que mostram que não adianta mais fugir dos profundos ajustes que precisamos fazer no setor público brasileiro. Escamotear dados e acreditar no crescimento da economia por “geração espontânea” não vai resolveros nossos problemas. Temos, portanto, que fazer um grande ajuste no setor público, buscando cortar despesas supérfluas e, mais importante, aumentar a racionalidade e eficiência do gasto. A maior ilusão que existe é se pensar que o Estado cria riqueza. O Estado é um mecanismo inventado para distribui-la e não criá-la. Assim, quanto algo é prometido pelo Estado para um determinado setor, pode ter certeza que isso será feito `as custas de toda a sociedade.

Essas eram as ideias do economista americano Milton Friedman, ganhador do prémio Nobel em 1976, e grande ícone da escola de economia da Universidade de Chicago. Friedman advogava a existência de liberdade econômica e rechaçava boa parte das intervenções feitas pelo estado. Empunhava a bandeira do conservadorismo econômico e foi um contraponto importante no pós-guerra das ideias intervencionistas de Keynes, que propunha que o Governo tinha o dever de intervir na economia com o objetivo de mitigar os efeitos da recessão (politicas anticíclicas), bem como evitar os períodos de boom excessivo e o perigo da inflação.

Era um grande comunicador. Talvez o primeiro economista que foi `a grande mídia e conseguiu traduzir conceitos econômicos de maneira simples e direta. Fazia a ponte correta entre a academia e o grande público. Foi também um libertário e advogava a legalização das drogas, contra a generalização da educação pública (acreditava no sistema de vouches) e boa parte da regulação que e o Estado impunha a diversos setores.

Pena que no Brasil ainda somos relutantes em aceitar muitos dos seus conceitos. Ainda advogamos um capitalismo cartorial, atrasado e incapaz de garantir dinamismo `a nossa economia. Esperamos tudo do Estado e esquecemosque, no final, o Estado nada mais é do que a ilusão de que uns podem viver `as custas dos outros.