Semideus do socialismo tupiniquim, por Rogério Marinho 

Semideus do socialismo tupiniquim, por Rogério Marinho 

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Rogério Marinho publica textos no NOVO aos sábados 

No Brasil, há o costume de criticar aquilo que não se lê. Tagarelam a partir daquilo que ouviram falar. Infelizmente, no debate público sobre educação, sobra adoração cega e irracional, não das ideias, mas das pessoas, seus prêmios e condecorações. É ambiente tomado pela hegemonia de pensamento único, do tipo esquerdista, em que clichês, mitos e mentiras prevalecem. O debate, geralmente, é dominado por sentimentos de amor e ódio. Tais sentimentos decretam a morte do pensamento racional.

A situação torna-se ainda mais grave quando há, no espaço público, avaliações sobre a pedagogia do oprimido: teoria desenvolvida pelo herói da esquerda e extrema esquerda, o senhor Paulo Freire. O sujeito que esmiuçar as teorias de Freire, constatar a hegemonia fabricada em torno do pseudo pedagogo nos meios universitários e a influência deletéria do autor no ensino, será considerado inimigo a ser abatido de todas as formas possíveis, principalmente, pela difamação. É assim que agem os adoradores do pedagogo: tentam, autoritariamente, interditar o debate.

Vamos a algumas curiosidades que podem ser extraídas da obra de Freire, Pedagogia do Oprimido. O livro tem 107 páginas. Verborrágico, no texto não é possível encontrar fatos, dados ou retratos analíticos da realidade. Não há nada que corrobore minimamente os pensamentos soltos no papel. É fácil constatar que o livro foi escrito sem o cuidado com a lógica das afirmações e com a materialidade do que é dito. Freire não faz um apanhado da tradição pedagógica para demonstrar a importância de suas contribuições. Não há descrição de método ou de técnica pedagógica alguma. Nada é concreto, provado ou testado.

No livreto de Freire a palavra revolução aparece 84 vezes, sendo 13 delas adjetivadas de cultural. A pedagogia freiriana é mero discurso repetidor da ortodoxia marxista de antanho. Freire cita, na Pedagogia do Oprimido, 24 vezes Karl Marx, faz 14 referências elogiosas ao guerrilheiro Che Guevara e cinco apontamentos sobre o ditador Cubano Fidel Castro. Mao Tsé-Tung e Lenin são reverenciados três vezes cada um. O livro é um panfleto socialista aplicado ao que Freire chama de educação. Vale a pena frisar que os políticos citados por Freire não possuem nenhuma autoridade científica ou técnica sobre educação, ensino e temas correlatos.

Segundo o Livro Negro do Comunismo: crimes, terror e repressão, de Jean-Louis Panné e outros, Fidel, Guevara, Mao e Lenin ajudaram, inspiraram e executaram diretamente milhões de pessoas ao longo da história do nefasto regime socialista: “(...) podemos estabelecer os números de um primeiro balanço que pretende ser somente uma aproximação (...) dimensão da grandeza que permite sentir a gravidade do assunto: URSS, 20 milhões de mortos, China, 65 milhões de mortos, Vietnã, 1 milhão de mortos, Coreia do Norte, 2 milhões de mortos, Camboja, 2 milhões de mortos, Leste Europeu, 1 milhão de mortos, América Latina, 150.000 mortos, África, 1,7 milhão de mortos, Afeganistão, 1,5 milhão de mortos, movimento comunista internacional e partidos comunistas fora do poder, uma dezena de milhões de mortos. O total se aproxima da faixa dos cem milhões de mortos”. O que de pedagógico pode haver nos escritos desses assassinos e genocidas?

Aos adoradores de Freire deixo a tarefa de justificar o que justiçamento de inimigos ou traidores da revolução socialista tem de pedagógico. Após inúmeros trechos elogiosos ao guerrilheiro Che, assassino frio, Freire endossa a prática: “Algumas vezes, no seu relato, ao reconhecer a necessidade da punição ao que desertou para manter a coesão e a disciplina do grupo, reconhece também certas razões explicativas da deserção. Uma delas, diremos nós, talvez a mais importante, é a ambiguidade do ser do desertor. Encerra a questão contando um caso: “certa vez, em conversa com o autor, um médico, dr. Orlando Aguirre, diretor da Faculdade de Medicina de uma universidade cubana, disse: ‘A revolução implica em três ‘P” – Palavra, Povo e Pólvora. A explosão da pólvora, continuou, aclara a visualização que tem o povo de sua situação concreta, em busca, na ação, de sua libertação’.” Lamentável! Viva o patrono da educação brasileira!