Policiais estariam revoltados com o tratamento que recebem do Governo e situação pode fugir do controle do Comando Geral / Assecom PMRN

Clima nos bastidores do Quartel da Polícia Militar é de revolta

O clima nos bastidores do Quartel do Comando Geral da Polícia Militar do Rio Grande do Norte não é dos melhores. Apesar da aparente tranquilidade e de alguns coronéis estarem garantindo a auxiliares da governadora Fátima Bezerra – e a ela própria – que está tudo “sob controle”, não é esse o entendimento entre a maioria da tropa.

Salários atrasados – deixados pela gestão de Robinson Faria -, falta de pagamento de diárias operacionais, equipamentos defasados, atos administrativos considerados perseguições, prédios sem conservação e a “invasão” de unidades da corporação por eternos candidatos a cargos eletivos provocam revolta, por enquanto, “abafada” pela hierarquia, “mas não se sabe até quando”, revela uma fonte do Novo Jornalismo.

Três PMs (dois oficiais e um praça) ouvidos pela reportagem, na condição de não serem identificados, confirmam que “a qualquer momento” o Governo do RN poderá passar a enfrentar uma situação que teria consequências mais graves que uma paralisação. “Pior que ter a tropa parada é ter a tropa nas ruas e desmotivada. Isso gera uma revolta nos policiais, a população fica ainda mais insegura e o Governo fica enganado, achando que está tudo normal. A PM potiguar é aguerrida, valente, honesta, mas está cansada de ser maltratada pelos governantes”, disse um oficial.

“Por mais que a gente deva obediência aos superiores, a sociedade precisa ser alertada sobre a situação que enfrentamos. Temos muitos colegas passando sérias dificuldades, devendo até a agiotas, outros fazendo bicos para tentar sobreviver. A gente vai cansando dessa enrolação.E além disso, a criminalidade vai aumentando, muitos de nós já foram assassinados”, disse um soldado.

O outro oficial entra no campo da política partidária: “Toda eleição é a mesma coisa: as unidades da PM recebem visitas de candidatos, muitos até da nossa corporação, uns são eleitos, outros ficam insistindo a toda eleição, mas o que sentimos é muita conversa, que não resulta em nenhuma ação efetiva que nos dê condições dignas de trabalho. Nossa tropa deveria era se unir, conversar com nossos familiares e não votar em ninguém, em forma de protesto. Polícia não deve se misturar com essa sujeira da politicagem. O Governo brinca de fazer segurança. Onde estão as viaturas da PM? Quando um cidadão pede socorro, a demora é grande para atender as ocorrências. Essa é apenas uma das fragilidades que enfrentamos”, enfatiza.