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Extremoz
 Viaturas deixarão de circular, prejudicando policiamento no município de Extremoz / Canindé Santos / Prefeitura de Extremoz

PMs relatam dificuldades e convocam colegas para mais um protesto

Na próxima segunda-feira, 12, o “café da manhã” da governadora Fátima Bezerra será uma pauta, em forma de protesto de servidores públicos, recheada de críticas e cobranças. Em grupos de WhatsApp e nos corredores de unidades da Polícia Militar, integrantes da corporação que não receberam o salário e o décimo terceiro de 2018 desabafam, pedem justiça, reclamam e estão dispostos a recusar participação de representantes de Associações que representam a categoria.

Trabalhadores que esperam o pagamento dos salários atrasados criticam o fato de conselheiros do Tribunal de Contas e procuradores, entre outros, serem “privilegiados” com reajuste salarial, mesmo recebendo remunerações superiores a R$ 30 mil, enquanto o Governo do RN alega não ter dinheiro para quitar a dívida deixada pelo ex-governador Robinson Faria, para quem Fátima Bezerra pediu votos e vice-versa, nas eleições de 2014.

Um dos mais novos ingredientes do bolo recheado pelo descaso com a PM foi confirmado, em off, por oficiais da corporação: duas pick-ups Amarok, que estavam à disposição dos policiais militares de Extremoz, na Grande Natal, serão recolhidas até a próxima sexta-feira, pela falta de pagamento do aluguel, pelo Governo do Estado. Os giroflexs e rádios desses dois veículos já teriam sido retirados. Restaram ao policiamento do município um veículo Duster com problemas mecânicos e um Gol descaracterizado, utilizado por homens do serviço de inteligência. Ou seja: se o Governo nada fizer, mesmo que retirando automóveis de outras cidades, “descobrindo um santo para cobrir outro”, Extremoz ficará sem carro para o policiamento ostensivo, inclusive em praias como Genipabu, Pitangui, Redinha Nova, Santa Rita e Graçandu. “Como é que vamos patrulhar as praias, sem os carros com tração 4 por 4? O Governo vai pedir socorro aos bugueiros, para nos levar? Ou vamos pedir ajuda à Cavalaria”, questiona um PM.

Na segunda-feira, 5, o Novo Jornalismo publicou matéria exclusiva sobre o clima de revolta nos bastidores do Quartel do Comando Geral da Polícia Militar. Em poucos minutos, o sistema de monitoramento de acessos do Portal confirmou a grande quantidade de acessos e repercussão na mídias sociais.

Nas últimas horas, em grupos de WhatsApp com participação quase total de policiais militares, textos e áudios conclamam a categoria para se fazer presente, segunda-feira, em frente à Governadoria.

A reportagem publica três áudios, obtidos pelo Aplicativo, enviados por dois PMs e replicados em diversos grupos:

Fontes deste Portal informam, na condição que suas identidades sejam mantidas em sigilo, que são dezenas de relatos de policiais, inclusive de oficiais superiores (de major a coronel), sobre as dificuldades financeiras que enfrentam. “Tem coronel que vendeu carro e está usando o carro da esposa, tem sargento que tirou os filhos do colégio particular, tem PM devendo a agiota e muitos da nossa categoria deixaram de pagar planos de saúde, o que aumentou a demanda no Centro Clínico e no Hospital da PM”, disse um policial.

“Injustiça na distribuição das receitas, fontes diferentes e muito superavitárias nos demais Poderes, que são imorais, inflamam a revolta dos demais servidores do Poder Executivo… Pagamentos exorbitantes, mesmo que não sejam ilegais, afrontam o equilíbrio sócio-econômico e o princípio da isonomia, onde há muitas ações que este pessoal tem recebido na seara administrativista nos Poderes Legislativo, Judiciário e MP , sem necessidade de ajuizarem nada para receberem seus direitos, onde as ações dos servidores do Poder Executivo estão travadas, e até as até são ganhas após trânsito e julgado em última instância, ficam no agdo de pg através de precatórios, além das execuções que nunca são pagas… Espero em Deus dias melhores…”, escreve outro policial, em mensagem enviada ao Novo Jornalismo.