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EDITORIAL | Ataque às oligarquias é senha para o 2º turno

A disputa eleitoral pelo cargo de governador no Rio Grande do Norte está bastante acirrada. As últimas pesquisas apontam uma disputa direta e sôfrega entre segundo e terceiro colocados, respectivamente Carlos Eduardo Alves (PDT) e Robinson Faria (PSD), para assegurar a segunda melhor votação e, em tese, disputar o segundo turno contra a candidata Fátima Bezerra (PT). Essa lidera todas as intenções de voto, embora não consiga ultrapassar o patamar de 30% do eleitorado, variando entre 26 e 30%.

Hoje vamos analisar o discurso do governador Robinson Faria, que já elegeu o seu alvo preferencial: Carlos Eduardo Alves. O que mais incomoda o Alves é a alcunha de ser o líder do “acordão” e comandante das oligarquias “Alves, Maia e Rosado”. É uma retórica eficiente aos ouvidos do eleitor, já tão cansado da “velha política” e sedento por mudanças. Em entrevista concedida na radio 98 FM, Robinson fez duros ataques aos seus adversários diretos, acusando-os de omissão e de impedir a vinda de recursos para o Rio Grande do Norte. Além do calor eleitoral, são acusações gravíssimas, que merecem atenção e apuração.

Robinson amarga forte desgaste e rejeição. E luta contra o problema tentando se comunicar. Alega que pegou o Estado quebrado e só agora está conseguindo organizar. Lista uma série de obras e projetos. Culpa adversários políticos por “boicotarem” seu Governo atrapalhando a liberação de recursos em Brasília. O governador disse que está fazendo um esforço para quitar o 13º salário e lembrou que Carlos Eduardo não tem “moral” para criticá-lo porque atrasou salários da Prefeitura de Natal.

Algumas frases de Robinson dão o tom do discurso de campanha, que será fortalecido nas propagandas de TV e rádio. “Enquanto as oligarquias me boicotavam, eu trabalhava três expedientes”, “Eles são as famílias tentando voltar ao poder”, “Na crise de Alcaçuz, Carlos Eduardo ficou dando risada e nada fez pra ajudar”. Nos bastidores, é comum ouvir a análise de que, mesmo com a imagem desgastada, Robinson vence aos poucos a guerra da comunicação e reúne chances de galgar espaço no segundo turno. E segundo turno é uma outra eleição. Será?